domingo, 19 de novembro de 2023

Oi (156)

no final da prova do primeiro dia de enem deste ano (05/11):

"mais um ano, mais uma vez
logo eu, que pensei que não haveria outra vez
prova, avaliação, vestibular
e tantas outras pra domesticar
vestir selvageria com civilidade
um duelo acordado entre cavaleiros
pra parecer menos cruel quando lhe matar
mais razoável sobrepor o meu direito ao seu
de acesso ao conhecimento, poder sociocultural

abre as portas da academia
a quem se voluntaria o trabalho intelectual
premia o privilégio do tempo dito ocioso
que viabiliza a reflexão além da sobrevivência
a busca por motivações outras que a miséria e a fome
o desejo de progresso, interno e externo
quase sempre individual, se olhar com atenção

no fim
também é outra forma de se garantir
encontrar seu lugar no maquinário humano
tornar-se peça essencial
pra não ser esquecida, abandonada
insuficiente sim, mas parte do todo"

terça-feira, 22 de agosto de 2023

é o começo de mais uma estrofe

oceano profundo

escuridão que rouba o fôlego
arde os pulmões
esmaga o peito

inevitável
concreta

.

some fucked up shit
came haunting me
in my sleep
[again]
"this is an anthem
so fucking sing"

like a damn ghost
stuck in time

"it never ends"
uma sombra no escuro
fantasma no canto
"another roof is crashing down"
vamos jogar roleta russa
o viciado, corrompido
faz-se presente
"every second every minute every hour every day"

.

reprocesso

fenômeno natural consciente que viabiliza a metamorfose
morrer e transformar

sem pensar muito

o tempo que lhe passa

a sabedoria que tem para

poder reconhecer

sentir,

só assim

amor

aprisiona

submersa em torpor

imagina sufocar

pensa em afogar-se.
haverão dias ruins como ontem
a gente desorganizada
e azares perpassando

"vc está nesse lugar, então pode confiar"

assunto interrompido que passou o tempo

.

primeiro te encontro
depois a gente vê?

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

os mortos não sorriem

dominadora e submissa
igualmente entregue a ti
rouba meu coração do peito
alimenta do meu sentir
assume que é seu

percebi logo antes
do silêncio abater
e me enchi de tristeza
assustada de ser
profundamente incoerente

interrompido

como gato arisco
na rua escura
um morto-vivo
escreve estas palavras
pra vomitar
pra nunca olhar pra trás
e a lembrança não apagar
da dor que lhe passou
nenhuma lágrima rolou
casca grossa, invulnerável
das mentiras que a si contou
visões terríveis de um futuro
vidas que ainda não viveu
feridas que ainda não curou
cicatrizes de tudo que eu passei
.

rever

escrevo
pra por pra fora
pra formar um portal com o passado
sob os olhos do futuro
no presente que se materializa
nas palavras que
escrevo

com calma
vai florescer
sem pressa

aos vivos não há para sempre
seja eterno enquanto dure

segunda-feira, 31 de julho de 2023

culto ao fim

um lugar tranquilo
o toque frio do ferro na têmpora

me segura amor

me abraça forte
não me solta
deixa eu explodir

entre sonhos e pesadelos
passageiros
revigorantes e desanimadores

amor como afronta aos senhores
pra distrairmos do moedor de carne

qualquer coisa
simplesmente qualquer coisa

nós damos significado
fazemos nosso destino

entulhadas
externa e internamente

prontas a florescer
resistentes a desabrochar

receosas do que seremos
do que nos revela

fecha os olhos
roga por pragas
limpa a Terra
traz o fim

segunda-feira, 24 de julho de 2023

camadas de medo
corpo que desconforta
surpresa desagradável
palco em silêncio
expectativas de um grande show
nossas diferenças
desencontros
e encontros
afirmativos, às vezes contrários
epifânicos
palavras
toques
compartilhar colaborativo

terça-feira, 11 de julho de 2023

como pluma

rumo ao chão

cai

flutua

pousa levemente

mergulha

na imensidão

de nós

nesta cama

onde viajamos mundos

materializamos sonhos

desejando o infinito

nos seus olhos

meu paraíso

coexistir ante a possibilidade de nos matarmos
dialogar colaborativamente
às vezes combativas

Fúria e Colapso
rumo ao inferno

de si mesmas
materializadas

escapistas da realidade que oprime

como qualquer bicho faria
busca paz
agride quando não encontra

parada brusca que
nos rompe o diálogo

onde estamos, pra onde vamos

na madrugada
entre demônios
assombrações
e uns poucos anjos

permita-me confundir-lhe

fazer tudo ao avesso
transbordar de sentimento
expandir
a consciência
ante o não-saber
assumir-me ignorante
e ter receio
de ser desastre
tragédia
pois estes são os agouros que guiam
Colapso e Fúria

nós
em todo lugar e ao mesmo tempo

entre fantasmas
do passado
ah, o passado...
que passa

que só se compreenderá no futuro

que ainda não existe

aqui e agora

onde encontro paz

nós
e vc

toda pessoa deve conhecer sua parte meio bicho antes de selar o destino de tudo que vive.

vc me desmente
meias verdades horríveis
que repetimos pra nós mesmas
baseadas em fortalezas que
erguemos convencidas
de falhas que foram
supostamente percebidas
por quem eu queria
que nos desmentisse
brame
exclama

declara
declama

confusa
sem fôlego

expressa aos 4 ventos
explode de sentir

sábado, 1 de julho de 2023

confusa com tanto som
com tantas luzes e tanta gente
em pânico
anestesiada

quarta-feira, 14 de junho de 2023

anticivilizatório [título posterior]

gato frajola
vaga na madrugada
entre seus semelhantes de todas as cores
pardos aos olhos dos homens
incompetentes em discernir o que não compreendem
ou que não dominam

todas as cores cantam juntas
mais ou menos harmônicas, quem se importa?
cantam juntas, ainda assim
seguem ritmos ecléticos
misturam-se
massa anônima, biopolítica
gasolina e fósforo

sambistas, funkeires, punks
a gente do jazz e do blues
contra-cultura marginal
pronta pra tomar o centro de assalto
sacudir as instituições
exterminar os vermes
assumir o protagonismo

quinta-feira, 8 de junho de 2023

orgástica

seus olhos
com seu sorriso
em seus lábios
emoldurados nas ondas acobreadas do seu cabelo

me olha nos olhos com expectativa
pede um beijo sem dizer nada

nossos lábios se tocam
guiam a intensidade das trocas
de carinho e emoção
que nos inflama o peito

explode em paixão e luxúria
juntas numa só peça
montagem, colagem, máquina

dois corpos unidos
as almas em contato

segunda-feira, 17 de abril de 2023

em busca de novos significados. outros fins

a segunda só começou
e eu já quero morrer

banho pra lavar o espírito

água que corre artificial
flui do chuveiro ao ralo
se vem e se vai

de passagem

acostumado a ser deixado de lado
focar em mim mesma

mentalizar-me completa

romance é uma mentira confortável

e nada é para sempre

tu nunca está só, pois estamos juntas

"a terra ainda vai se tornar um planeta inabitável"

ponto
o começo de mais uma estrofe

semente

dada a oportunidade de falar
esconde-se no silêncio
gatilho involuntário

catastrófica passional

o apocalipse, o abismo, o tempo
o vazio (da existência)
de mim mesma
sobre o pensar e agir

transição

ponto.

uma noite em plena euforia
hoje nada pode dar errado

que dia incrível :)

sexta-feira, 14 de abril de 2023

indesejável

entre se completar em outra presença
e morrer.

desejos sedentos

volátil

inflamável

explosiva

solúvel
em carinho, amor
acolhimento

vítima incel
do patriarcado
subproduto do macho alpha
feio

incomodado

ação política
impulso violento

do desprezo ao inimigo
verme a ser exterminado

praga a extirpar

demônio a exorcisar

quarta-feira, 5 de abril de 2023

insolúvel

eu acreditei que era especial
não era

saída de emergência
pra ficar em paz
o que é sentido
se é que faz sentido
mas ainda não

vazio

contempla

respira

frio, devia ter trazido uma blusa :(
dissocia

pra seguir em frente
toma água e se cuida

inspira

expira

inspira

outros cenários, outras pessoas

pensamentos vem e vão

vazio relacional
carinho sem destino
amor platônico
perfeito irrealizável

o amor verdadeiro é humilhante
degradante

presente de luz
futuro de trevas

inferno da escassez relacional
solidão e solitude dançam ao tempo que passa
nunca se soltam

fracasso relacional
romântico
inamável
faz sentido?

afastamento e aproximação

num ciclo

aproximação e afastamento

fluir do tempo

torturo-me sozinha
percebendo a morte chegar
plenamente ciente de não
poder contar com ninguém

não poderia mesmo contar (a gente morre sozinhes)

mas gostaria de fingir o contrário
só por um tempo sabe?
que nem todo mundo